A Capela no dia-a-dia
A Capela da rua "du Bac" é, verdadeiramente, uma Capela "santa". Os que nela entram são logo invadidos por seu clima de paz e de serenidade. Não seria a irradiação da Virgem que permanece após tê-la visitado?
Sejam peregrinos ou turistas, todos ficam impressionados com o silêncio do lugar. O turista levado para a rua "du Bac" por algumas linhas do Guia Michelin, fotografa, começa a fazer seus comentários em voz alta. Depressa, porém, é como engolido pelo silêncio: abaixa o tom, pára no fundo da Capela a fim de tentar compreender... Os caminhos que levam a Deus são muitos e, ás vezes, inexprimíveis.
O peregrino, se sobretudo, vem pela primeira vez, é atraído
pela atitude de acolhimento da Virgem das Graças. As palavras de Maria
a Catarina Labouré são um insistente convite: "Vinde ao pé deste altar,
aí as graças serão derramadas sobre todos os que mas pedirem com fervor".
Ele vai se ajoalhar nos degraus do Altar, e aí perto de Maria e de seu
Filho Jesus presente no Tabernáculo, deposita suas preocupações, alegrias,
penas, pedidos, agradecimentos...
Como a mulher do Evangelho que desejava tocar no manto de Jesus para ser curada, muitos peregrinos exprimem por gestos bem simples sua fé e sua oração. A oferta de flores não é um gesto sem valor: para eles, é a expressão de tudo o que não sabem exprimir.
Outros
peregrinos materilizam sua oração escrevendo-a. O bilhetinho colocado
na cesta de vime em forma de cântaro, vai se tornar oração de toda a comunidade.
Essas súplicas são igualmente confidências a Maria que acolhe tanto a
angústia, o temor, o desânimo, quanto a confiança, a ação de graças, a
alegria.
A oração dos peregrinos a Maria e a Catarina leva-os para a Eucaristia. A possibilidade oferecida, diariamente, de poder participar de uma ou outra das três Missas da manhã, acentua bem esse caráter eucarístico da Capela das Aparições. À tarde, a oração Mariana de todos os dias, habitualmente o terço, é encerrada pela Benção do Santíssimo Sacramento.
São numerosos os peregrinos que passam e voltam à Capela da Medalha Milagrosa:
Uma média diária de 2.500 no inverno, 4.000 no verão. Vêm de toda parte:
do bairro onde moram ou trabalham, de todas as províncias da França, da
Europa e também dos cinco continentes. Uns fazem parte de peregrinação
organizada em plano paroquial, diocesano ou nacional ou de algum Movimento.
Outros vêm com a família, com amigos ou sozinhos.
O corredor que leva da rua "du Bac" à porta da Capela
nada tem de bonito. Mas desempenha um papel importante. Intermediário
indispensável entre "rua" e "capela",
ele favorece a passagem da agitação do mundo ao "silêncio" do santuário.
Nesse corredor, um afresco de pedra explica, através de sugestivas imagens
o porquê da Capela. Ele é também um lugar de encontros fortuitos entre
Irmãs e peregrinos, decisão pessoal de ir à sala de recepção para uma
conversa com um sacerdote ou para oferecer Missas por intenções particulares.
Todo este vai-e-vem intriga os transeuntes da rua "du
Bac". Alguns entram para ver o que há. Muitas vezes, inconscientemente,
percorrem o mesmo caminho e ouvem o que Jesus dissera aos primeiros discípulos:
"Vinde e vêde!"
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