PROVINCIA DE CURITIBA
Curitiba - 7 de Setembro de 2010
Mensagem do Padre Diretor.

 Saboreando os frutos do Jubileu



Para desfrutarmos os frutos do Jubileu da morte de São Vicente de Paulo e Santa Luísa de Marillac, é imprescindível o cultivo do ardor do mesmo espírito que animou Vicente e Luísa na missão: a caridade. O ardor missionário impulsionou os gigantes da caridade a ir ao encontro dos mais empobrecidos da sociedade. O acolhimento a Jesus Cristo transformou o pensar e o agir de Vicente e Luísa. Transformados por Cristo, viveram a radicalidade do Evangelho, na evangelização e no serviço aos pobres.

Comprometidos com o Reino de Deus, Vicente e Luísa perceberam que a missão não seria fácil. Desfrutaram da fé em Jesus Cristo, preparando um caminho de serviço e acolhida para seus discípulos; isso devido à experiência trinitária em suas vidas.

Quando vivemos impulsionados pelo amor de Deus, percebemos que a missão a nós confiada, só pode ser realizada dentro da dimensão trinitária. Os trabalhos passam a serem realizados com alegria e determinação, manifestando que estamos enraizados em Jesus Cristo e na caridade.

É importante celebrar. Nossas atitudes revelam o comprometimento ou não, com o Ano Jubilar. É na simplicidade do nosso agir que vivemos este momento festivo. É no acolhimento e na escuta do outro que compreenderemos as reais necessidades; a partir deste contato pessoal percebemos os anseios e as angústias que movem o nosso ser. O Ano Jubilar nos oportuniza momentos de encontro com os jubilandos e seu Carisma, como também favorece o cultivo de uma amizade que se faz à margem de um mesmo ideal. Este momento celebrativo nos conduz ao acolhimento das abundantes graças que nos são oferecidas. Cada pessoa que desfruta do Carisma de São Vicente e Santa Luísa vive dentro deste dinamismo de vida, de alegria em poder servir e sentir-se útil.

Participantes deste Carisma, envolvidos pelo encanto desafiador da espiritualidade de São Vicente e de Santa Luísa, não podemos negar, apesar do secularismo presente em nossa realidade, que Deus continua sendo a luz e a força para o homem que busca o verdadeiro sentido da vida. São Vicente sentiu e “reconheceu que Deus é a necessidade do homem”. Mais uma vez é bom lembrar que a espiritualidade de Vicente de Paulo segue o curso da Encarnação, sendo cristocêntrica. Cristo é que impulsiona o agir humano para o próximo e para o bem. A nossa ação diária deveria fundamentar-se em Jesus Cristo e no amor trinitário, para fazermos tudo bem. Santa Luísa, sensível e emotiva, cultiva uma espiritualidade do “amor puro, de um amor purificado de todo resíduo humano”, assim como nos é apresentado na segunda ficha de reflexão para a Família Vicentina.

Envolvida pelo dinamismo da caridade, Santa Luísa tinha presente que o serviço dos pobres não estava reservado somente para si. São Vicente de Paulo logo percebeu em Luísa “uma mulher forte, dotada de dons excepcionais, capazes de fazer dela uma líder, que ele buscava para colaborar com ele em suas obras de caridade” (ficha de reflexão nº 4). Sendo uma mulher astuta, temente e confiante em Deus, convidou jovens camponesas “construindo uma ponte sobre o abismo que separava os ricos e poderosos dos camponeses e dos pobres. Com São Vicente de Paulo e as primeiras Filhas da Caridade, criou uma vasta rede de caridade que não excluía ninguém” (ficha de reflexão nº 4).

Muitos vieram, ao longo destes anos, apaixonar-se por este mesmo trabalho de Vicente e Luísa, tornando-se membros da Família Vicentina. Este momento jubilar ocasiona um maior fortalecimento do que já está sendo realizado no serviço aos pobres, como também nos faz ver e sentir que é preciso dar continuidade a esta grande missão: servir para desfrutar com alegria as graças deste Jubileu.

Pe. Odair Miguel Gonsalves dos Santos, CM
Diretor Provincial das Filhas da Caridade

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